Ainda sobre o fim do mundo

Este ano celebra-se o suposto centenário do nascimento do escritor Isaac Asimov. Suposto porque ele nasceu na Rússia entre o final de 1919 e o começo de 1920. Como não se tinha certeza da data, o próprio Asimov estabeleceu e comemorava seu aniversário em 02 de janeiro de 1920. Antes da pandemia começar, havia vários textos falando sobre Asimov por conta do cententário e também sobre seu machismo. Asimov foi uma figura tão importante quanto problemática para a ficção científica.

Uma noveleta publicada em 1941 é tida por muitos críticos como uma dos melhores histórias de ficção científica de todos os tempos. Chama-se “Nightfall” e em português foi traduzida como “O cair da noite”. Nela, Asimov retrata um mundo em que a ciência se vale da religião para decifrar um mistério astronômico, porém é desacreditada pela população.

Lagash é sempre iluminada por pelo menos um de seus seis sóis. O planeta não conhece noite ou escuridão – e nem estrelas. Os cientistas de um observatório descobriram que a cada 2049 anos um eclipse total ocorre e deixa o planeta nas trevas. Estrelas, até então desconhecidas da população, tornam-se visíveis. Isso é suficiente para enlouquecer as pessoas, que acabam por destruir toda a civilização. Vestígios mostram que Lagash já passou por pelo menos nove desses episódios.

Os cientistas descobriram tudo isso faltando apenas dois meses para o próximo eclipse. Eles então equipam um grupo de pessoas para se esconder durante o fenômeno com todos os dados disponíveis até então. Esse grupo de pessoas formará a base da nova civilização lagashiana, que não começará do zero, como as anteriores. No observatório, eles acompanham o desaparecimento dos sóis, um a um, até a completa escuridão:

Theremon cambaleou a seus pés, sua garganta apertando-o até ficar ofegante, todos os músculos de seu corpo se contorcendo em uma tensão de terror e medo além do suportável. Ele estava enlouquecendo, e sabia disso, e em algum lugar lá dentro um pingo de sanidade estava gritando, lutando para repelir a inundação sem esperança do terror negro. Era muito horrível enlouquecer e saber que você estava enlouquecendo – saber que em um minuto você estaria aqui fisicamente e, no entanto, toda a essência real estaria morta e afogaria-se na loucura negra. Pois este era o Escuro – o Escuro e o Frio e o Juízo Final (…). A longa noite tinha chegado novamente.

O exercício imaginativo de Asimov em pensar como uma sociedade que não conhece a noite nem as estrelas reagiria a elas é bem interessante. Ele partiu de um poema de Emerson mostrado por Campbell e que serve como epígrafe da história: “If the stars should appear one night in a thousand years, how would men believe and adore; and preserve for many generations the remembrance of the city of God”. O motivo de eu ter lembrado de Nightfall, no entanto, é outro,

Quando vejo tantas pessoas insistindo em dizer que o novo corona vírus não tem nada de mais (“é uma gripezinha”), ou que continuam defendendo o uso da cloroquina apesar de estudos mostrarem que ela não tem eficácia, penso nos cientistas de Lagash tentando alertar, em vão, a população. É terrível ver o horror chegando e não poder fazer nada.

Talvez nosso mundo acabe arruinado ao final da pandemia, tal como Lagash depois dos eclipses. Muitas famílias estão sendo destruídas e, quanto mais tempo passar sem que o governo federal decrete medidas rígidas de isolamento e possibilite que as pessoas possam ficar em casa através de auxílios e ajudas emergenciais, maior o estrago será. Que possamos encontrar forças para construir uma nova realidade depois que tudo isso passar, mais justa e igualitária.

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O Lucas, que foi uma criança burguesa-safada e tinha assinatura de gibi da Turma da Mônica, me contou que quando leu Nightfall pela primeira vez, reconheceu a trama por já ter lido algo parecido em uma história do Astronauta. Procuramos e achamos o gibi, de 1998. Nela, o Astronauta salva o planeta “Luminus” da escuridão com a ajuda de um vendedor ambulantes e suas lanterninhas.

 

 

O dia seguinte ao do fim do mundo

 

Ontem, 14 de abril de 2020, faleceu o incrível Luiz Felipe Falcão. Tive a sorte de ser sua aluna em inúmeras disciplinas no curso de História e no mestrado também em História. A última vez que o vi foi em uma aula aberta que deu, intitulada curiosamente de “o dia seguinte ao do fim do mundo”, dada após as eleições de 2018. Eu andava muito desanimada pensando no futuro e a aula me deu a dose necessária de esperança que estava precisando para seguir em frente e tocar meu doutorado. Como boa historiadora que adora guardar tudo, eu tinha pedido uma cópia do texto ao Falcão, que eu reproduzo aqui:

 

O dia seguinte ao do fim do mundo

Por Luiz Felipe Falcão

Quod natura non dat, Salmantica non præstat
(Escuelas Menores de la Universidad de Salamanca)

Omnium scientiarum princeps Salmantica docet
(Lema da Universidade de Salamanca)

Contrariando todos os prognósticos, o dia do fim do mundo, dia de eleições presidenciais de 2018 no Brasil, amanheceu sem maiores novidades: o sol até apareceu, algumas nuvens teimaram em brincar no céu, os pássaros alimentavam-se em alvoroço e a grande maioria das pessoas fez o que se esperava dela: despertou, moveu-se para seus locais de votação, alimentou-se e alguns, certamente inconsequentes, conseguiram arrumar um tempo para ouvir música, assistir um filme e até namorar. Afinal, era 28 de outubro, um domingo de primavera, e nada menos adequado para um fim de mundo que um domingo de primavera.

Mas o pior ainda estava por vir. Na segunda-feira, dia seguinte ao do fim do mundo e, com certeza, um dia mais apropriado para catástrofes e hecatombes desse porte, o mundo continuava teimosamente em seu lugar. Para alguns, que decerto eram parte da torcida do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, o fim do mundo teria que esperar mais um dia, pois somente na terça-feira aconteceu a derrota eliminatória para o River Plate (os palmeirenses então, pobres coitados, precisaram esperar ainda mais um longo e arrastado dia, muito embora cheio de esperança, para alcançar a mesma ruína). Seja lá como for, porém, no dia seguinte ao do fim do mundo não teve nada demais, o que não impediu que sentimentos e reflexões fossem a ele dedicados. E é isso que interessa observar, debater e se posicionar.

De imediato, cabe dizer que o fim do mundo é, em verdade, plural, ou seja, que o mais adequado seria falar em fins do mundo, uma vez que cada um deles é muito cioso de seu respectivo vínculo identitário, mantendo contrato de exclusividade com um povo eleito, uma etnia ou uma devoção, seja ela espiritual, de gênero ou qualquer outra modalidade. Exatamente por isso, fins do mundo são avessos a universalismos e cosmopolitismos, rejeitando qualquer ideal de igualdade, liberdade e fraternidade por considerá-los patranhas eurocêntricas.

No entanto, o que os torna mais problemáticos é que, por serem fins de mundo, eles devem obrigatoriamente ter um começo: um começo para cada um, decerto, mas um começo. Mas, como certa vez perguntou Lenin, por onde começar? George Duby, medievalista francês de grande talento, buscou sinais de um fim do mundo cristão na Europa em torno do ano 1000, uma conjuntura bem propícia para a terminação dos tempos, mas o esforço foi em vão: os poucos vestígios que restaram daquela época não fazem referência a nada semelhante a uma comoção generalizada que a iminência de um fim do mundo tende a produzir.

Atravessando o Atlântico, e antes mesmo dos fins do mundo produzidos pelos conquistadores europeus a partir de 1492, os sacrifícios humanos de crianças, praticados por diferentes sociedades ao longo do tempo, como por exemplo as três expostas ao frio como oferenda nas encostas do vulcão Llullaillaco (a Donzela, a Menina do raio e o Menino), numa altitude superior a 6.000 metros localizada na atual noroeste da Argentina, poderiam servir como exemplos de fins de mundo que deixaram de ser reverenciados em rituais para ter lugar em museus e documentários televisivos.

Fazendo o caminho de regresso pelo mar oceano, o banho de sangue promovido pelas elites francesas para punir a ousadia dos trabalhadores que, nas palavras de Marx, ousaram tomar o céu de assalto durante a Comuna de Paris, em 1871, bem que poderiam demarcar o começo de um fim do mundo (pelo menos, demarcou o início do fim da I Internacional). Todavia, se cotejado com as revoluções russas de 1905 e 1917 que lhe sucederam, parece mais a autora de uma nova era do que a culminância de um tempo perdido. E mesmo estas revoluções, cotejadas com a violenta repressão bolchevique contra a revolta de Kronstadt em 1921, sede da base naval cujos marinheiros sempre as apoiaram e que haviam se rebelado exigindo eleições para os sovietes e liberdade de expressão tornam este fim do mundo ainda mais insondável.

Uma década e picos depois, para ser exato em outubro de 1936, em plena Guerra Civil Espanhola, temos o célebre embate que opôs o general nacionalista e conservador José Millán-Astray, um militar mutilado nos combates que participou durante a campanha colonial do Marrocos (perdeu o olho direito e o braço esquerdo), muito admirado por parte de seus concidadãos pela divisa que criou para seus comandados – “Viva a morte!” – e, certamente, um íntimo de fins do mundo de que participou, ou que proporcionou, e o filósofo e reitor da universidade de Salamanca, Miguel de Unamuno, que, basco de nascimento, não aceitou as palavras ofensivas com que o primeiro se referiu a regiões da Espanha como a Catalunha e o País Basco, tendo retrucado, em meio ao tumulto gerado pelos admiradores do general, o seguinte:

“Estás esperando minhas palavras. Conheces-me bem, e sabeis que sou incapaz de permanecer em silêncio. Às vezes, ficar calado equivale a mentir, porque o silêncio pode ser interpretado como aquiescência. (…) Mas agora acabo de ouvir o necrófilo e insensato grito “Viva a morte!”, e eu, que passei minha vida compondo paradoxos que excitavam a ira de alguns que não os compreendiam, vou lhes dizer, como especialista na matéria, que este ridículo paradoxo me parece repelente. O General Millán-Astray é um inválido. Não é preciso que digamos isto em um tom de voz mais baixo. É um inválido de guerra, como também o foi Cervantes. Mas desgraçadamente existem atualmente na Espanha demasiados mutilados. E se Deus não nos ajuda haverá logo muitíssimos mais. Atormenta-me pensar que o General Millán-Astray poderia ditar as normas da psicologia da massa. Para um mutilado que careça da grandeza espiritual de Cervantes, é de se esperar que encontre um terrível alívio vendo como se multiplicam os mutilados ao seu redor.”

Mais ao sul, novas décadas adiante e de um modo quase contemporâneo ao fim do mundo iugoslavo (1982 – 1985), com base no território de Ruanda, mas espraiando-se além, a maioria hutu aproveitou preconceitos espalhados ao longo do século XX pelo colonialismo belga para atualizar ódios ancestrais contra a minoria tutsi para perpetrar um dos mais sanguinários genocídios africanos das últimas décadas do século XX, mobilizando corações e mentes numa ação bem similar à efetuada por croatas católicos e sérvios ortodoxos para impulsionar e justificar a matança de bósnios muçulmanos.

Esta lista de horrores associada aos fins de mundo é apenas um pálido esboço e seria impossível completá-la e atualizá-la a contento, pois ficariam de fora silêncios como os de Tulcídides ou lembranças como as de PolPor. No entanto, isso é incompatível com o espírito de uma sexta-feira e, em especial, com o que nos trouxe aqui: a eleição do capitão reformado Jair Bolsonaro como presidente da República do Brasil.

Este evento, certamente de grandes, profundas e, quiçá, prolongadas repercussões, foi saudado como um fim do mundo por vozes autorizadas especialistas em grandes catástrofes. A historiadora e ativista Dulce Pandolfi, ela mesma presa e torturada durante a ditadura civil-militar brasileira, não teve dúvida em afirmar que a situação é muito mais dramática do que qualquer outra anterior:

“A situação agora é muito mais dramática. Comparam com Collor, com o golpe, mas hoje é muito mais grave. Estamos diante de uma pessoa que vai ser eleita pelo voto popular, essa que é a verdade. E é uma pessoa sem escrúpulos, com posturas vinculadas a um ideário do fascismo e do nazismo. É gravíssimo.”

Em complemento, ela recorda que, nos idos do regime instaurado em 1964, ninguém, nem mesmo os chefes militares e policiais, fazia apologia à tortura: “Quando interrogados, diziam que não existia isso no Brasil, que algumas pessoas cometeram excessos. Então como um sujeito que vai dirigir a nação faz apologia à tortura e ao torturador mais execrável desse país?”

Por seu turno, a historiadora francesa Maud Chirio, especialista em história da direita brasileira e na relação desta com a caserna, em entrevista à Folha de São Paulo, disse não acreditar que Bolsonaro vá moderar seu discurso ou abandonar algumas de suas propostas mais radiativas depois de sua posse, em 1º de janeiro de 2019. “Não são bravatas, excessos, é um sistema de pensamento [capaz de] virar do avesso o conjunto de valores morais e políticos preponderante na Nova República. Há aí uma cegueira histórica”, emendando que no dia 3 de janeiro do ano que vem, o MST e o MTST serão declarados organizações terroristas e, no começo de fevereiro, o PT será interditado: “Haverá também um expurgo na administração pública, que já está em preparação. Só não vê quem não quer.”

Perante tais vaticínios, e antes de apagar a luz e fechar a porta rumo ao exílio, caberia dizer que historiadores, historiadoras e cientistas sociais são, em geral, péssimos pregoeiros, não raro semeando equívocos quando se arvoram a fazer prognósticos. Não que, é importante sublinhar, o país esteja diante de um momento tranquilo e harmonioso, se é que alguma vez o esteve. Pelo contrário, tem-se diante, tudo está a indicar, tensões e conflitos agudos em torno de questões essenciais como, repete-se uma vez mais, igualdade, liberdade e fraternidade. Existe, inclusive, a possibilidade real daquilo que meteorologistas chamariam de uma “tempestade perfeita”: economia liberal como Trump, violência policial como Duterte e reformais institucionais como Duda, sob a batuta moralista do maestro Silas Malafaia.

Contudo, comparações e aproximações apressadas nada esclarecem e, o que é pior, dificultam pensar. De fato, poucos na ditadura defendiam abertamente a tortura, mas torturavam, matavam e censuravam quaisquer informações sobre os crimes praticados. Dois deles, quanto a isso, são exemplares: os que vitimaram as meninas Araceli Cabrera Sanchez Crespo, 9 anos incompletos, em Vitória do Espírito Santo, e Ana Lídia Braga, 7 anos, em Brasília, ambos em 1973 e até hoje não solucionados.

Seguindo, o novo governo ainda não começou e não se sabe exatamente por onde ele transitará, mas desde já desperta tanto apoios significativos como oposições (parciais) relevantes e contundentes, como o editorial do jornal O Globo do último domingo, 18 de novembro, contra o movimento “Escola sem Partido”. E, modéstias a parte, resistir semrpe foi uma das muitas qualidades dos setores e parcelas progressistas da população, no Brasil e em todo o mundo.

Concluindo, é imprescindível convidar a refletir como chegamos até aqui, depois de eleger com relativa folga um presidente progressista em 2002 e reiterar o mandato para a política que ele representava por mais 3 sucessões presidenciais. Em outras palavras, como, e de que modo se processou, este nosso fim de mundo, se é que ele merece assim ser chamado? Que importância tiveram, para este desfecho, as críticas devastadoras ao Esclarecimento, à igualdade e mesmo à democracia, elementos generosos nascidos na Europa ainda incompletos, em formação e, também, com uma perigosa potência de instrumentalizar o mundo que não foi percebida de imediato, postos de lado em nome das diferenças culturais? Que destino inglório alcançou a aura da crítica enfática da corrupção que as esquerdas sempre ostentaram, mas que, de modo curioso, foi esmaecida e esquecida enquanto montanhas de dinheiro público eram desperdiçadas e fortunas, pessoais ou não, cevavam à sombra ou ao sol?

Nesta sexta-feira primaveril, vale terminar lembrando que na Patagônia argentina, um local inóspito para quase todas as formas de vida, existe uma vinícola muito apreciada, a bodega Del Fin del Mundo: antes que o mundo acabe, até porque ele pode não acabar, talvez seja conveniente tomar uma taça de vinho branco bem gelado.

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Hoje beberei uma taça de vinho branco bem gelado em sua homenagem. Vá em paz, querido Falcão. Saiba que fará falta nesse novo fim de mundo que estamos vivendo.

 

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Na foto, o professor Falcão, eu, o professor Emerson (meu orientator) e o professor Clóvis no dia da minha defesa de mestrado, em 2014

 

 

Livros e filmes feitos por mulheres

Este ano eu resolvi ler e ver mais coisas feitas por mulheres nas minhas horas de folga.
(Na História isso ainda é meio difícil: embora o campo seja mais igualitário do que outros, percebo que na teoria e metodologia ainda são os omi que dominam, aí não tenho como fugir deles).

Resolvi listar todas as coisas legais que vi e li nesses últimos meses:

Livros:

– The Bell Jar, da Sylvia Plath
Queria ler há tempos, mas sempre me enrolava. Acabei lendo em inglês e achei uma leitura meio pesada, tanto pelo tema (romance autobiográfico sobre doenças mentais e as instituições pelas quais Plath passou) quanto pelo fluxo de consciência da escrita. Ainda assim (ou por tudo isso) é um puta livro.

– A Arte de Pedir, da Amanda Palmer
Alguém no twitter falou que o ebook tava bem baratinho na Amazon e e que valia a pena comprar. Resolvi dar uma chance e virou um dos meus livros favoritos da vida. Agora eu recomendo ele pra todo mundo. É tipo uma biografia misturada com auto-ajuda (mas uma auto-ajuda muito boa, não fique com medo). O livro foi baseado numa palestra que ela deu no TED:

– Como eu era antes de você, da Jojo Meyes
Vi o trailer do filme no cinema e decidi que ia ler o livro antes, o que fiz em uma noite! hahaha. Ele é mega viciante e eu gostei bastante. Vi o filme e gostei também. Ele foi dirigido pela Thea Sharrock e o roteiro é da própria escritora.

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Filmes, séries e documentários:

– Thelma & Louise (1991)
Esse filme é um clássico, mas eu nunca tinha assistido. Gostei demais! O roteiro é da Kallie Khouri, que ganhou um Oscar por conta do filme (muito merecidamente).

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– Advantageous
(2015)
Dirigido pela Jennifer Phang e com roteiro dela e da Jacqueline Kim (que também atua como uma das protagonistas), é um filme de ficção científica mega interessante.

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Jogo do dinheiro (2016)
Dirigido pela Jodie Foster, o filme tem a Julia Roberts e o George Clooney no elenco, vale a pena ver só por causa disso ❤ haha (mentira, o filme é bom também).
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Nos bastidores da fama (2014)
Não podia faltar um romancezinho na minha lista, adoro! Esse além da história de amor, trata também de empoderamento feminino e é bem legal. O roteiro e direção são da Gina Prince-Bythewood. A protagonista é a linda da Gugu Mbatha-Raw, do também muito bom “Belle”, de 2013, dirigido pela Amma Asante com roteiro da Misan Sagay.

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Gracie and Frankie (2015 – )
Eu já tinha adorado a primeira temporada e a segunda foi muito boa também – principalmente mais pro final. Uma das criadoras da série e que assina vários episódios é a Marta Kaufmann, que escreveu vários episódios de Friends (uma série que eu não curto muito, pra falar a verdade).
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– Jane the Virgin
(2014 – )
Esse foi o achado do ano ❤ Viciei demais na série, que tem duas temporadas até agora (a primeira disponível na Netflix). Ela é uma sátira de novela mexicana, ao mesmo tempo que é uma série estilo novela mexicana. É mega engraçada e com uma pegada bem feminista. Desenvolvida pela Jenni Snyder Urman, é uma adaptação de uma novela venezuelana criada por Perla Farias.
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She’s beautiful when she’s angry (2014)
Documentário sobre a segunda onda do movimento feminista nos Estados Unidos. É bem bacana, vale a pena ver! Direção de Mary Dore.

– My beautiful, broken brain (2014)
Lotje Sodderland, uma produtora de vídeos inglesa sofre um derrame cerebral e não consegue mais ler nem escrever e também tem dificuldades para se comunicar. O documentário explora a recuperação dela. Recomendo muito! É dirigido por ela mesma e pela Sophie Robinson.

 

 

 

Arrogância x insegurança acadêmica em Dawson’s Creek

Adoro viciar em seriados e o queridinho da vez é Dawson’s creek. Eu assisti uns episódios quando era criança e passava na globo e, desde então, tinha vontade de assistir de cabo a rabo. A série tem muita coisa legal além da cena do Dawson chorando que virou um meme #fikdik

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Legenda da imagem: Dawson se mtando de chorar porque a Joey partiu seu coraçãozinho

Na temporada 5, no episódio 07, Joey (a nerdona da série com a qual eu me identifico :P) fala pro professor que se sente insegura e ele responde:

Most people, when they get to college, feel really insecure. lt seems like everybody around them knows so much more. So they race to try to catch up, pretend to know things instead of slowing down to actually learn them. Because they don’t realize that the discomfort of uncertainty is the most precious part of the experience you can learn anything. Anything. And if not well, then you’ve stopped before you’ve begun.

[A maioria se sente insegura na faculdade. Parece que todos à volta sabem muito mais. Então correm para se inteirar, fingem saber as coisas em vez de ir devagar, para aprender de verdade. Não vêem que o desconforto da incerteza é a parte mais preciosa da experiência. Se puder se sentir à vontade em não saber pode aprender qualquer coisa. Senão, você parou antes mesmo de começar.]

Todo início de semestre eu me acho muito burra em relação aos meus coleguinhas. Depois passa um tempo e eu vejo que era só pose e que ninguém sabia muito mais do que eu (às vezes sabia é menos). Vai ver é isso aí, eles só fingem saber. Só que enquanto fingem, não se abrem para aprender de verdade e aí permanecem estancados na arrogância e ignorância. O mundo acadêmico tem dessas coisas.

Sobre se lembrar do que estava fazendo em 11/09/2001

Já faz 14 anos, mas desde 2001 todo 11 de setembro as pessoas tem o costume de contar o que estavam fazendo quando ficaram sabendo do atentado ao World Trade Center em Nova Iorque.

Esses dias li um texto muito bom, disponível aqui, e compartilho com vocês esse trecho que achei muito significativo:

“Damos muito valor a essas conexões com o passado mais abrangente. Satisfeitos de que nossas lembranças nos pertencem, buscamos também ligar nosso passado pessoal à memória coletiva e à história pública. As pessoas recordam vividamente seus próprios pensamentos e ações em momentos de crise pública porque se agarram à oportunidade de conectar-se com um cosmos significativo. Grande número daqueles com idade suficiente para relembrar os assassinatos de Lincoln e Kennedy, também se recordava vividamente, muitos anos mais tarde, de sua própria situação naquele momento: onde estavam, quem lhes contou, o que estavam fazendo, como reagiram, o que fizeram em seguida. Mas essas recordações são frequentemente tão errôneas quanto vívidas. Realmente, as gritantes imprecisões enfatizam a questão: as pessoas estão tão ansiosas para fazer parte da “história” que falsamente “recordam” suas reações, ou até mesmo sua presença em acontecimentos importantes” (LOWENTHAL, 1998, p. 82-3).

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Imagem: Memorial do World Trade Center em Nova Iorque
Fonte: Arquivo próprio

No dia 11/09/2001 eu estava me preparando para ir à escola quando vi o plantão da Globo. Ou talvez não, mas é assim que eu lembro e assim que eu me sinto parte da História.

Sobre cabelos curtos e feminismo

Hoje, na padaria, a atendente me falou “como está lindo seu cabelo”. Agradeci, e ela continuou “Adoro cabelo curto. Eu tinha, igual ao seu. Todo mundo elogiava. Queria cortar de novo, mas meu noivo briga”.
Pensei numa saída: “Aparece com ele curto! Daí ele não vai mais poder brigar”. “Mas aí ele vai ficar emburrado”. Concordei e me despedi chateada com a vida. Nós, mulheres, ainda não somos donas dos nossos próprios corpos. Não podemos interromper uma gravidez não planejada, não podemos engordar, nem ter celulite ou estrias e não podemos nem decidir o tamanho dos nossos cabelos.
Há esse ideal na nossa sociedade de que cabelos compridos (e lisos, vejam bem) expressam mais ~feminilidade~. As mulheres de cabelos curtos ou são retratadas como ~machonas~ ou então são as megeras da história.

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O cabelo curto está associado de certa forma a uma agressividade e rebeldia. Que mundo patético que vivemos onde decidir o tamanho do próprio cabelo é ser transgressora (e ser transgressora nesse caso não é bom, porque das mulheres é esperado um papel submisso).
Só que vejam bem, em determinada idade da vida isso vai se inverter. Mulheres mais velhas de cabelos compridos são desleixadas. Imagina, então, se não pintar!
Você, homem, pode estar lendo isso e pensando “ué, mas é só não pintar”, ou “é só cortar”, “é só não alisar”. Infelizmente não é tão fácil assim. O machismo que impera na nossa sociedade faz com que haja uma pressão muito grande sobre nós. Quem decide fugir dessas regras sociais tem que aguentar muita coisa.
Embora seja ótimo quando uma mulher consegue se desprender dessas amarras e se libertar, o ideal é que esse não seja um processo individual. É preciso que a gente mude enquanto sociedade, pra que daí sim cada uma seja livre de verdade (até onde isso é possível) para decidir o que quiser sobre seus cabelos, seus corpos, suas vidas.

Orphan Black mostra que ficção científica feminista é possível

Há pouco tempo mudei meu objeto de pesquisa. No mestrado, trabalhei com o romance “The catcher in the rye” [O apanhador no campo de centeio, no Brasil] do escritor J.D. Salinger. Àqueles que não leram ainda, recomendo fortemente!
Para o doutorado, resolvi mudar de tema. Meu amor pelo Salinger é eterno, mas achei que seria interessante explorar outras possibilidades. Aí, num momento de folga, assisti “2001: uma odisséia no espaço”. Como faço sempre depois que termino de ler/ver algo, corri pra internet pra pesquisar sobre o filme. Aí fui indo de artigo em artigo na wikipedia, até que encontrei um sobre um grupo de escritores conhecidos como “The futurians”. O troço me interessou tanto que virou meu projeto de pesquisa. Minhas leituras sobre ficção científica ainda são novas e precisam aprofundamento, mas é um pouco com base nelas que escrevo sobre meu novo vício chamado Orphan Black.
A série canadense estreou em 2013 e atualmente está na terceira temporada. Pra variar, vi tudo numa tacada só: 21 episódios em 3 dias. De forma resumida, Orphan Black trata de mulheres que descobrem ser clones. Não se sabe ao certo quantas clones há e nem detalhes da pesquisa, que foi conduzida de forma ilegal na Inglaterra na década de 1970. Não quero entrar muito na história pra não fazer spoiler, por isso vou me ater a algumas personagens da série.
A principal é Sarah Manning. Do tipo durona, lembra um pouco a personagem Lisbeth Salander, da trilogia “Millenium”. Ela encara os perigos de uma-indústria-do-mal-que-tem-ligação-com-o-exército para tentar descobrir sua história. Além disso, é mãe solteira.

Cosima é doutoranda em biologia. Na ciência a desigualdade entre homens e mulheres ainda é grande, então acho muito positivo mostrar que mulheres também podem ser cientistas (e cientistas fodas!). Cosima é bissexual, mas o legal da série é que essa é apenas uma das características dela.

Alison Hendrix seria a representação mais comum das mulheres na tv: casada, mãe de família, religiosa. É ela, no entanto, que ensina Sarah a atirar e que consegue armas no mercado ilegal, dentre outras coisas.

Há ainda diversas outras personagens como Siobhan Sadler, a mãe adotiva de Sarah que age de forma dúbia; Helena, uma clone religiosa fanática com treinamento militar; Raquel, que comanda uma empresa poderosa; mais cientistas e algumas policiais. Acho muito legal da série explorar tantas personagens femininas diferentes. Cada uma com uma história e complexidade.
Nas minhas fontes de pesquisa, são sempre os homens que ocupam os papéis de destaque. Às mulheres cabem apenas papéis secundários, como secretárias, recepcionistas ou donas-de-casa. Os cientistas, astronautas, empresários, líderes são sempre homens (brancos, cis e héteros, diga-se de passagem).
Nos Estados Unidos está rolando um auê bem grande agora na ficção científica em torno da premiação conhecida como Hugo Awards. Há escritores argumentando que a ficção científica engajada não tem graça e que deveria-se retornar à “era de ouro” (que para eles foi a década de 1970).
Acontece que o retorno à essa época anterior é falso. Mesmo que um autor não perceba, está se posicionando politicamente o tempo inteiro, até mesmo com seu silêncio. O fato de não haverem negros em diversas produções, por exemplo, é um esforço para negar sua existência, assim como da população LGBT.
Orphan Black é mais um exemplo de que é possível produzir ficção científica mais inclusiva. Além disso, questiona os limites da ciência, algo que considero importante num mundo que pouco tempo atrás assistiu ao extermínio de milhões de pessoas em nome da eugênia.
Pra encerrar, lembro que aqui no Brasil também já discutimos isso. Somos tendência, hein!

A feminista que casou

Desde que me casei, em 30 de agosto do ano passado, tenho vontade de escrever sobre os motivos que me levaram a isso. Não para me justificar, mas para mostrar que casamento e feminismo não são necessariamente antagônicos, como muita gente pensa.
Vamos lá então: por que decidi me casar? Eu já morava com meu namorado/noivo há um ano e meio, então muita gente estranhou essa decisão. Bom, pra começar, esse raciocínio não faz muito sentido já que as pessoas não casam só pra morarem juntas. Isso poderia ser verdade até não muito tempo atrás, mas hoje o casamento não é mais uma imposição para morar junto nem pra transar sem ser condenado moralmente – ao menos pra pessoas não religiosas, como é meu caso e do meu marido.
Talvez por ter brincado demais com Barbie noiva na infância, ou por ter assistido muito filme de comédia romântica na adolescência, a verdade é que eu sempre quis casar. Virei feminista declarada na faculdade, mas o desejo permaneceu.
Quando entregamos o convite, um primo do meu noivo falou “ué, mas achei que vocês queriam destruir a família!” HAHAHAHAHA. É sempre bom esclarecer que o movimento feminista (ao menos aquele com o qual eu me identifico) não quer acabar com nenhuma família mas sim dar visibilidade para todas, porque família não é só aquela do comercial de margarina de pai, mãe e filhos. Na História da Família, esse modelo é chamado de Família Nuclear Burguesa e data de aproximadamente 200 anos. Além disso, o feminismo também quer que todxs tenham direito de casar e não apenas casais héteros.
Como feministas (e ateístas!), maridão e eu não conseguiríamos casar numa igreja. Como eu disse ali em cima, o casamento mudou de função, mas como as igrejas demooooooooooooooooram pra se atualizar, padres e pastores (não posso falar de outras religiões porque nunca fui em nenhuma cerimônia) continuam falando abobrinhas como a esposa deve servir o marido, o casal deve aceitar os filhos que deus enviar zzzzzzzzzZZZZZZzzzzz.
Outra invenção moderna além da Família Nuclear Burguesa é o amor romântico. Foi a partir da invenção do amor romântico que os casamentos passaram a ocorrer por causa do amor, e não mais por interesse das famílias (vem daí também a junção entre sexo e amor). Falo tudo isto porque a tendência é generalizar e achar “que sempre foi assim”. O que acontece é que a maior parte dos casamentos religiosos ainda é baseada nessa união entre as famílias e não entre as duas pessoas que estão ali porque se amam e querem ficar juntas e ponto final.
Como então casar sem ter que ouvir que você foi feita a partir de uma costela? Em alguns lugares como a Escócia, tem ganhado força uma cerimônia humanista. Esse tipo de cerimônia é laica (laica de verdade, não laica tipo Brasil) e foca na relação entre as pessoas. Aqui no Brasil, a Liga Humanista tem se esforçado pra promover esse tipo de celebração, e foi assim que nós chegamos no Álvaro, nosso celebrante que citou Sartre ao invés da Bíblia (o que fez muito mais sentido pra gente).

Mas além da cerimônia em si, há várias outras coisas importantes para um casamento, como eu vim a descobrir na organização do meu. Falei ali em cima do convite. Nós levamos HORAS (literalmente) para conseguir decidir o que escrever e como escrever. A linguagem representa (ou não, e esse silêncio é significativo sobre a sociedade) e também ajuda a construir a realidade. Optamos por usar meu apelido, já que todo mundo me chama assim, e dizer que nós estávamos convidando para nosso casamento. Nossos pais nos ajudaram financeiramente com a festa, mas a decisão de casar foi nossa, então fazia mais sentido nós convidarmos as pessoas. Outra preocupação foi incluir as mulheres no convite. Depois de queimar muitos neurônios, o resultado foi “Buca e Lucas tem o prazer de convidá-lxs para seu casamento”, que eu gostei muito.
Dizem que o vestido da noiva é uma das coisas mais importantes do “grande dia”. Como todo mundo sabe, as mulheres casavam de branco pra simbolizar sua virgindade. Eu poderia ter casado de verde, roxo ou amarelo com bolinhas azuis, mas como essa história de branco e virgem não faziam sentido pra mim, casei com um vestido off-white (cor que eu nem sabia que existia) porque sou a favor de ressignificar as coisas, como o próprio casamento.
Outro ritual comum no casamento é o pai conduzir a noiva até o altar, onde “”entrega”” ela pro noivo (esse costume vem do casamento como um negócio decidido pelos homens, como falei lá em cima). Tem casais que optam por entrar juntos, o que é bem legal, mas eu queria a emoção da surpresa do Lucas com meu vestido (culpem os filmes!). Assim, optei por entrar com meu pai como uma forma de gratidão por ele sempre ter me apoiado em todas as minhas decisões, inclusive na de casar. Ele, ali, assumia a função de pai como um grande amigo e não como alguém que me “arranjou” pra um filho de um amigo.
As práticas mudam ao longo do tempo, mas às vezes algumas coisas permanecem. Do antigo costume de “casamento arranjado” permaneceu a ideia do homem casando por obrigação. O que era verdade há um tempo atrás virou uma forma de “piada” que me irrita demais, porque pra mulher ficou o papel da louca que está obrigando o homem a casar. O casamento hoje é (ou deveria ser) uma decisão conjunta do casal. Então não faz sentido aqueles comentários de que a vida está acabando. Amigo, se não quer não casa e por favor não encha minha paciência. ‘Brigada eu.
Como o post já está longo vou encerrando por aqui. Eu quis mostrar que nada é “fixo” no ritual do casamento, como às vezes as pessoas imaginam (claro que se você casar em uma igreja podem haver eventuais restrições) mas ainda assim é possível modificar bastante coisa, desde o convite à decoração e principalmente a ideia do que é um casamento. Casamento é a união de pessoas que optaram por ficarem juntas enquanto der certo pra elas 🙂

This guy, don’t be this guy. Sobre viagens, assédio e machismo

Toda semana viajo de ônibus para minha pós, 12 horinhas de pura diversão. O ônibus faz 2 paradas para lanche/troca de motorista/alongamento. A história que vou contar é sobre uma dessas paradas.
Ao descer do ônibus, já passado da meia-noite, um cara me aborda:
– Boa noite.
– Boa noite.
– Vou sentar do seu lado depois, posso?
– Não, não pode.
– Por quê não?
Eu ainda estava meio dormindo e no começo não lembrava se conhecia o sujeito ou não, já que na semana anterior quatro caras bacanas me ajudaram a chegar na USP. Demorei uns instantes pra entender que a gente não se conhecia e que na verdade ele estava me cantando. Caras, não é legal fazer isso. Sério. Não sejam iguais a esse sujeito.
Alguns vão dizer que nada de mais, que como feminista eu enxergo problema em tudo e blá blá blá. Mas só vai realmente pensar isso quem se vê no lugar do homem, do privilegiado, do mais forte nessa relação de poder e que acha que cantada é elogio.
Não é legal ser vista sempre e apenas como um corpo sexualizado (mesmo que estivesse de calça jeans e moletom). Além do mais, como eu disse ali, já passava da meia-noite e portanto estava escuro. A situação não me deixou apenas constrangida, me deixou amedrontada porque eu estava realmente sentada sozinha no ônibus. Passei o resto da viagem com medo que o sujeito viesse sentar do meu lado.
Essa história me lembrou um vídeo da Rebecca Watson em que ela relata ter sido assediada em um elevador num congresso sobre ateísmo. A parte mais trágica é que isso foi logo depois da fala dela dizendo que há machismo no movimento ateu. O vídeo gerou muita repercussão e ela foi xingada, diminuída e até ameaçada. Mas não existe machismo, né?
Sexta passada o programa “Globo Repórter” abordou pessoas que largaram tudo e foram viajar por aí. A ideia é que não é preciso dinheiro para isso, apenas determinação. Seria lindo e maravilhoso não fosse um “detalhe” não abordado pelo programa: para mulheres é muito mais difícil viajarem sozinhas. O jornal britânico “Daily Mail” incluiu o Brasil numa lista de dez países perigosos para mulheres viajantes.
Há uma empresa que vende poltronas exclusivas para mulheres. A ideia vai na mesma linha dos vagões de trens e metrôs exclusivos para mulheres. Embora eu reconheça que sejam medidas problemáticas pois segregam as mulheres ao invés de proporcionar um ambiente de respeito, ao menos trazem um pouco de segurança para as usuárias.

BBB: por que tanto ódio nos corações?

Amanhã começa a 15ª edição do Big Brother Brasil, e TODO FUCKING ANO É A MESMA COISA: gente que odeia o programa e faz questão de deixar isso bem claro.

A dificuldade de respeitar o gosto do coleguinha não é coisa nova (“funk não é cultura” – afinal de contas só o que eu gosto que é!), mas parece ganhar uma proporção ainda maior em relação ao reality show da Globo.

Os principais “argumentos” dos haters de plantão é que o programa é “um lixo”, “emburrecedor”, “circo pro povo” (o pão no caso viria do Bolsa Família, o que não faz nem sentido já que a Globo não apoia exatamente programas de redistribuição de renda, né?)

Um slogan bem batido é: “desligue a TV e vá ler um livro”. Acho bacana incentivar a leitura. Eu mesma adoro, leio muitos livros por ano. E dá pra fazer as duas coisas: ler e assistir BBB. Juro, gente! Assim como também dá pra ir ler o livro ao invés de ficar no facebook falando isso.

Me intriga muito como virou moda odiar BBB. Parece que de repente todo o resto da programação da televisão brasileira é excelente e o Big Brother é a única coisa que não presta. Deixa eu te contar uma coisa, amigo que adora assistir futebol e fica falando mal de BBB no facebook: se eu estou emburrecendo por assistir, você não está exatamente aumentando suas capacidades cognitivas, né?

Se você não gosta, não assista. Simples assim. Você não precisa ficar postando nas redes sociais como odeia o programa pra se sentir mais inteligente do que aqueles que gostam. Brigada eu.