Geração Brasil, uma novela feminista?

Sou noveleira assumida, e assim como milhões de brasileirxs, adoro ver uma boa trama! Tenho várias ressalvas à TV Globo e seu jornalismo que se finge isento quando na verdade defende claramente um lado, mas não posso fingir que as novelas da Globo não são boas. A emissora investe em cenários, boas edições e um time de atrizes  e atores excelentes.

Infelizmente não acompanhei Geração Brasil desde o começo, mas do ponto que peguei até agora a novela tem me surpreendido bastante. Pra começar, tem elementos de ficção científica: além de diversas tecnologias que ainda não conhecemos, o guru Brian Benson consegue “reprogramar” o cérebro das pessoas através da “filosofia do mistério”. Uma coisa legal a dizer sobre o Brian é que ele é interpretado pelo Lázaro Ramos (um puta ator!) que é negro. Então o cara mais phoda da novela senhoras e senhores é um negro. Ao mesmo tempo que a Globo passa aquele absurdo de “Sexo e as negas”, no horário das 19h está quebrando alguns antigos costumes da emissora de só escalar negrxs para atuarem como trabalhadores domésticos. Mas isso não é tudo. A mãe de Brian, Dorothy, é uma mulher trans* e seu pai um homem trans* (embora eu nunca tenha visto ele na novela, apenas menções). Infelizmente Dorothy não é interpretada por uma mulher trans* (como a personagem Sophia Burset, de Orange is the new black, interpretada pela Laverne Cox), mas sua participação é muito positiva e felizmente bem diferente daquela representação trans* que o Zorra Total faz.

Além de Dorothy, há várias personagens femininas bem fortes e interessantes. Pâmela Parker é famosa por ter interpretado em uma espécie de Star Wars. Sua filha Megan Lily é uma celebridade à lá Lindsay Lohan, que é presa várias vezes por dirigir embriagada e coisas do tipo, mas que ao longo da novela vai se “regenerando”. Pâmela casou-se com Jonas Marra quando estava grávida de Megan, e os dois se consideram pai e filha. Aliás, outra coisa bacana na novela  são as representações de família: há várias formações como sobrinho sendo criado pelos tios, famílias onde moram avós, pais, filhos e netos, dentre outras. Pena que não há nenhuma relação homoafetiva, nem personagens gays na novela, o que iria enriquecer ainda mais sua diversidade.

Ainda assim a novela tem uma pegada feminista. Claro que é leve, mas já é um avanço. Já mencionei algumas personagens, mas faltou falar da Manu, que é uma ótima programadora. Representatividade importa, e é fundalmental que as meninas possam assistir a novela e sonharem em trabalhar com tecnologia também! (um mercado infelizmente bastante machista ainda). Tem também a jornalista Verônica (interpretada por Taís Araújo) que consegue desvendar vários mistérios. Ela mora com seu filho Vicente e com a Edna, e é muito legal mostrar que existe sim amizade verdadeira entre mulheres.

Geração Brasil não emplacou muito na audiência, o que é uma pena. A novela é excelente, cheia de reviravoltas do tipo mocinho que vira vilão, que se redime e vira mocinho de novo. O legal é que isso ajuda a desconstruir aquela coisa de que o mocinho é mau o tempo inteiro e o mocinho sempre bom. O “vilão” de Geração Brasil é o cara que defende software livre e tem uma ONG pra ensinar informática para as crianças, ou seja, até ele tem seu lado bacana.

Pra encerrar, deixo aqui um vídeo excelente feito pela personagem Megan quando teve fotos suas expostas na rede:

http://gshow.globo.com/novelas/geracao-brasil/Parker-TV/noticia/2014/10/megan-lily-o-meu-corpo-me-pertence.html

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5 pensamentos sobre “Geração Brasil, uma novela feminista?

    • Verdade Lucas, a assexualidade acabou sendo retratada como um problema e não como uma escolha. Eles escorregaram feio nessa parte. Mas, se consola, acho que é a primeira vez que vi uma novela abordar o tema. Agora só falta acertar! haha

      Nanda, pena que tá acabando 😦 você pode fazer igual a minha avó e só assistir só o final heuheuheuhuehe. Mas acho que logo ela é reprisada no “vale a pena ver de novo” ou no Viva.

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      • Então, os personagens “assexuados” eram o Brian e a Lara, que casaram. Aí um dia eles transam e descobrem que na verdade a assexualidade era um “problema” não-resolvido.

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